PERCEPÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER #8M2019 - Ação em Louveira

Apresentamos os dados da pesquisa Percepção sobre a Violência contra a Mulher em Louveira, realizada em uma ação pelo Dia Mundial da Mulher (8 de março) de 2019. A divulgação deste trabalho pretende mostrar a necessidade de um olhar do poder público e de segurança no município para este tema.


O Flores de Lótus é um projeto de apoio ao combate à violência contra a mulher no município de Louveira, e busca fortalecer o movimento mundial criado pela ONU no cumprimento da agenda 2030 - ”Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”.


A ONU tem como meta eliminar todas as formas de violência contra as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas. A prevenção da violência de gênero é necessária para que ela não ocorra em primeiro lugar. Mas quando ela ocorre, os serviços essenciais devem atender às necessidades das mulheres e meninas, e a justiça deve ser implacável na defesa de seus direitos.


Ao analisar a situação da violência dentro do nosso município, deparamo-nos com a dificuldade em obter e analisar este tipo de dado, e isto inspirou a ideia de elaborar uma pesquisa que tentasse dar visibilidade à violência contra a mulher em Louveira.


A pesquisa visou construir uma amostra do conhecimento sobre a violência dos participantes e dos eventos relacionados que estes pudessem indicar.


A elaboração do questionário – instrumento de coleta dos dados da pesquisa –, que foi elaborado com base em dados da ONU e do IBGE, e destas referências foi extraído o conjunto de perguntas que compôs o questionário.

  • Gênero e idade do(a) entrevistado(a)

  • Região da cidade que mora

  • Entendimento sobre a violência contra a mulher

  • Conhecimento sobre algum homem que tenha agredido ou alguma mulher que tenha sofrido violência

  • Sua percepção dos locais vulneráveis à violência de gênero

  • Sua percepção sobre as circunstâncias da violência

  • Seu conhecimento sobre os órgãos de apoio a mulher que sofre violência

  • Opinião sobre a importância de implementar uma Delegacia da Mulher no município

A coleta dos dados foi realizada 8 de março de 2018, no Amélia´s Bar (Vila Nova Louveira), de 19hs a 22hs. Chegamos ao número de 51 questionários completados.


Do(a)s entrevistado(a)s, 25 eram mulheres, 19 homens e 7 não declararam o gênero.




O bairros citados como local de moradia pelos entrevistados foram (em ordem de maior quantidade) : Santo Antônio, Vila Nova Louveira, JD. Niero, Capivari, Sagrado Coração de Jesus, Pq do Sabiá, Vila Pasti, Reserva das Videiras, Vila Bossi, Engenho Seco, Pq. dos Estados, Burck, Raiz da Serra, 21 de Março, Pq Brasil, Jd. Belo Horizonte, Leitão, Sta Izabel e Terra Nobre.

Quando perguntou-se o que entendiam por violência contra a mulher, o(a) entrevistado(a) poderia escolher múltiplas alternativas entre: Agressão física, agressão verbal, violência psicológica, agressão física que pode levar à morte, violência moral, cárcere privado, assédio sexual, abuso sexual, estupro.

Dos resultados, 70,6% consideram todas as alternativas como violência contra a mulher, e 29,4% escolheu uma ou mais alternativas (não considerando todos os itens como uma forma de violência.

Foi possível observar, na aplicação do questionário, a discussão dos itens entre homens e mulheres que responderam, o que sinaliza o interesse e a necessidade de debater sobre o tema da violência contra a mulher. Conforme a pergunta 5 demonstra, apesar deste interesse sobre o tema, ainda há pouco entendimento sobre o que é violência.

Outro dado importante é que mais de 80% dos entrevistados conhecem algum homem que praticou e/ou alguma mulher que sofreu/sofre algum tipo de violência. Além disso, cerca de 60% das moradoras de Louveira já sofreu algum tipo violência de gênero.

Os entrevistados entendem que o lugar mais vulnerável para a mulher é dentro de casa, e complementam que o principal motivo dessas violências é o ciúmes do companheiro, seguido pelo machismo, isto é, “as mulheres são vítimas de violência porque são mulheres”.

Isso significa dizer que a desigualdade é estrutural. Ou seja, social, histórica e culturalmente a sociedade designa às mulheres um lugar de submissão e menor poder em relação aos homens. Qualquer outro fator – o desemprego, o alcoolismo, o ciúme, o comportamento da mulher, seu jeito de vestir ou exercer sua sexualidade – não são causas, mas justificativas socialmente aceitas para que as mulheres continuem a sofrer violência.

A maioria também entende que o motivo que leva uma mulher a permanecer em uma relação de violência é a falta de condição econômica da mulher, seguido pelo medo de ser morta.

Para o(a)s entrevistado(a)s, Louveira não tem apoio adequado às vítimas e a delegacia representa a primeira opção de apoio para a mulher que sofreu violência. Considerando que o CRAS/CREAS, sendo órgãos de garantia de direitos, aparecem em 4º lugar na opção do(a)s entrevistado(a)s, vê-se uma necessidade de esclarecimento e políticas públicas (campanhas, ações, espaços de discussão, projetos) para a população geral.












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